Ponta Grossa resiste à redução da APA da Escarpa Devoniana

Estudantes, ambientalistas, lideranças políticas e de movimentos sociais, além de representantes de diversos setores da sociedade de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, realizaram, nesta quinta-feira (28), três grandes mobilizações no município contra o projeto de lei 527/2016 que pretende reduzir em 70% os limites da Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana. Ao todo, segundo o Movimento Pró-APA da Escarpa de Devoniana, cerca de 500 pessoas participaram diretamente das atividades.

Estudantes
Pela manhã, em torno de 100 estudantes do ensino médio de 10 escolas do município caminharam pelas principais vias em direção a Câmara Municipal, portando cartazes e entoando gritos contra o projeto em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP).
Protesto
“É um protesto em defesa da Escarpa que é nosso patrimônio hoje e no futuro. Somos nós, os mais jovens, que sofreremos as consequências desta redução. Estamos estudando na escola sobre a APA e esta atividade é didática, sendo complementar ao que estamos aprendendo”, afirmou o estudante Christopher Ferreira, um dos organizadores da caminhada.
Palestra
Já na Câmara, os estudantes se uniram a outros manifestantes em uma aula pública onde foram apresentados os impactos ambientais, econômicos, culturais e sociais da possível redução da APA. Palestrante principal da aula, o professor Gilson Burigo, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), destacou que, caso a redução prospere, apenas 6,3% dos mais de 46 mil hectares da APA, que estão em Ponta Grossa, continuarão protegidos.
Antidemocrática
“É uma medida antidemocrática e inconstitucional”, disse. O deputado estadual Rasca Rodrigues (PV), que é relator do projeto na Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da ALEP, participou de todas as atividades e avaliou que a resistência demonstrada pelos ponta-grossenses dará ainda mais força no parecer final da comissão, que ainda aguarda outros pedidos de diligências.
Movimentos Sociais
“Desde que o projeto chegou à nossa comissão estamos indo atrás de pareceres técnicos, de estudos sobre os impactos ambientais e econômicos, e até então só temos elementos negativos desta redução. A participação e engajamento da população em geral, como aconteceu em Palmeira, e agora aqui, é um dos principais pontos que vamos considerar neste processo”, explicou Rasca Rodrigues. À noite, ainda na Câmara Municipal, foi a vez dos movimentos sociais, lideranças inter-religiosas, sindicatos, entre outros, criarem oficialmente o Comitê Pró-Escarpa-Núcleo Ponta Grossa.
Comitê
Já há um Comitê Pró-Escarpa de Curitiba/Cáritas Brasileira, cujo primeiro ato foi divulgar publicamente uma carta, intitulada “Carta dos Campos Gerais em Defesa da Vida”, onde as entidades expõem os riscos da possível redução. A carta será enviada a todos os/as deputados/as como forma de sensibilizar antes da votação em plenário.
“Esperamos que Vossas Excelências, diante de tantos questionamentos de ordem ambiental, econômica e jurídica, observem os males deste projeto que carece de transparência, a toda população impactada”, diz um dos trechos do documento.
Também participaram do lançamento do Comitê de Ponta Grossa os deputados Péricles de Mello (PT) e Aliel Machado (REDE), além de vereadores do município.

Fonte: Assessoria de Imprensa do gabinete do deputado Rasca Rodrigues

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